Um pouco mais de paciencia

Um petisco!


quinta-feira, 31 de março de 2011

Norah Jones - Come away with me

É adorável uma mulher toda nua, ou quase, de meias brancas

Fotografia de resonatewithin
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Tomar café não me desperta. Bebo pelo cheiro. Invento de acreditar que funciona por superstição. É somente um apoio moral e reconfortante para enfrentar a semana. Alheio às pesquisas científicas, bocejo na fumaça. No terceiro gole preto, fico com mais sono. Reativo a preguiça da noite anterior e o impulso é voltar para a cama. Esqueço que acordei. Sou o efeito colateral do café. Ele deve ser menos agitado do que eu.

Um outro tabú é transar de meias. Se confessar aos meus amigos que gosto de mulheres assim, vão contar que sou louco.

Quem determinou que é errado? Por que elas são mais pijama do que acessório? 

Costo Rico - Por esos mares

quarta-feira, 30 de março de 2011

De Patinho Feio a Cisne Negro


Fotografia de ahermin
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Todo Patinho Feio teme nunca acordar na pele de um cisne. Só temos a coragem de ler para crianças essa trágica história de Andersen porque antecipamos o final feliz, já sabido por todos. [...]

Greg Allman, Dave Matthews e Warren Haynes - Melissa

"No dever, o indivíduo se liberta, de modo a alcançar a verdadeira liberdade." (Hegel)
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Jimi Hendrix - The wind cries Mary

"Sonetos eternos", por Hhp


"Set me free", fotografia e montagem de mrrezania

Promanam dragões desse punho controverso, 
em sede algoz pela dúvida, pelas nebulosas
da vontade de querer, de representar, 
de historiar: arte, música, palavras e desejo...
Enlevos sublimes que atravessam nossos ossos,
que sopram cacos e fiapos das respostas vindouras,
dos porvires, dizeres e prazeres de todos nossos 'eus',
póstumos, presentes e futuros.
Fractais do tempo e das intempéries,
a singularidade e a beleza, geração após geração,
sempre rangeram, suspiraram, atentaram, condenaram,
suplicaram e deram de bandeja, aos pares de amor e guerra, 
a fábula de vitral intimidade com o caos,
dos modismos, das circunstâncias, dos aforismas.
Poucos sabem, no entanto, que a grandeza do homem
não se apraz, necessariamente, pela maneira como conquista 
a sobrevivência diante da mixórdia do apropriável,
da materialidade, do consumo e da instantaneidade!
Gigante é o indivíduo que, a par da poderosa galvanização
dos museus das eternas novidades, puídas e infelizes,
constrói e amplia horizontes pela maneira como se livra
do auto-medo e, com os dragões à solta,
consegue gozar a completude de um sorriso, abraço, beijo
e amasso, de mãos dadas com a simplicidade da vida,
mesmo que, ao derredor de todas as batalhas para alcançá-la,
infiéis e desertores insistam com os proclamos do
pessimismo, da impossibilidade e das tão covardes
resignações que o seu despreparo à finitude provoca.
Enquanto, para estes, apenas a fotografia embriagar,
displicente perdoada e viável, aos outros será dado
"versificar" os ângulos e as vertigens da alma.

"Joga a rede, pescador!", por Hhp



"Sonrei con amor", graffiti de Poeta
No muro aqui de casa.
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O homem começa a gostar das coisas, 'coisas' e "coisas" de uma mulher. Algo que, árdua e normalmente, ela quer se ver livre, quer ressignificar, quer reintensificar. Um relacionamento finda por conta do autoritarismo vindo de ambas as partes neste tocante. A própria constituição histérica da mulher a torna um tanto mais inquieta e invasiva em relação a alguns assuntos. O homem, no seu típico ar de demarcação de território por grito e brados de espada, não sabe abdicar, no mais das vezes, de seus dogmas. Ambos, ao fim, agem soberanos frente a suas vontades primevas. Que maravilha os pombinhos que fazem análise e gostam de discutir a relação. Ora, ora. Não nego a real importância do divã. Meu analista ainda não me concedeu a graça, mas permanecem muito instrutivas as sessões que, por um quebrante do destino, agora estão reduzidas à quinzenalidade. Penso, apenas, que algumas epifanias da vida Freud ou Lacan não souberam, puderam ou quiseram perceber. Algo há na relação amorosa não atingida pelos nós do passado. A falibilidade humana, os imprevistos e surpresas do dia-a-dia, a faísca rápida, o 'feeling' para agir sem lembrar de Pitágoras ou Arquimedes...à percepção dessas singelas vírgulas na vida de cada um é que se dirige boa parte das conversas com o felizardo doutor. Esse sim tem do que reclamar. Quantos problemas, quantas soluções, amarras, pesos, dúvidas, entrelaços, cegueiras. Enfim, o fato é simples, atente. Não consigo parar de pensar em ti. Sei como são as evasivas de um suspiro, as chamadas de provocação, teste, desejo, sedução. Que pouca vergonha a minha. Apenas porque te disse quão poéticos são os camarões, me pus a imaginar a época que vivo. Nada a ver com Einstein, uma quarta dimensão, algo ultrarromântico, parnasiano. Sorte, azar: culpa que os mal preparados colocam em sua própria incapacidade de aceitar os defeitos e a impotência para enfrentá-los. Esse não-sentido que faz as coisas acontecerem é bárbaro e formidável. Ter a capacidade para captá-lo é antever o belo da vida, que faz sentido para nós. Quer dizer, não por acaso que surgiu a vontade de te escrever aquele bilhete. Por uma série de motivos, entre eles o calendário chinês de 2011 (ano do coelho), decidi, com os incipientes calos de minhas mãos, arder a vida nú. Terminei minha rede e me joguei mar da solidão adentro. Meus braços e minhas pernas, não percorrem cansados o caminho da nudez. Tirei férias em mim e resolvi pescar bons fluídos, resgatar boas memórias e oferecer ao mundo a degustação perfeita de sabor e saber. Aceito que me seja dito haver destemperança nas palavras, nas ideias. Objetivo, daqui para frente, e de qualquer forma, é sangrar o que, em minha face Sísifa, aprendi a querer e a poder. Almejo encontrar, dessa forma, alguém que não me queira sepultar e jogar rosas no caixão, caquética em uma bengala e longe de terra firme pela senilidade. Saberei, em um piscar de teus olhos (que um dia serão os meus), se estarás disposta a compartilhar de tua culinária arte de viver. Com um pouco de carinho aqui, de atenção alí, de vontade e dedicação nos momentos e pela duração corretos, tenho certeza que degustaremos, sempre, bons sorrisos e bem-estar. Para algumas coisas, das mais audazes às mais íntimas e silenciosas, um cozinheiro, apenas, não dá conta de preparar o prato.



Ah, e por falar nisso: eu entro com o camarão e a alga. Não esquece do saquê e do CD do Chico.


terça-feira, 29 de março de 2011

Orishas - Reina de la calle


"Desespero", por Hhp

Fotografia de monsterkookies
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Imerso na disputa por espaço,
vaga rente ao inóspito melodrama do fracasso,
o emblema do imediatismo e da conformidade.
À felicidade, tal acontece com a música,
não se direciona qualquer contraindicação.
Basta, por isso, na corda-bamba de sombrinha,
saber o limítrofe abismo que há 
entre o muito e o demais!

Oasis - Stop crying your heart out


quarta-feira, 23 de março de 2011

"Um 'bourbon' sem gelo, por favor!", por Hhp



Temo que aqueles tenham sido os melhores momentos de nossas vidas.
Não é assim que termina a melodia. Tango ou tragédia, a dança
segue a passos lentos e no vagar de pés incertos, desorientados,
à procura de sua bússola, no sem-fim do amor e da vida!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Heraclitismo




Toda a felicidade existente nesta terra,
Vem da luta, amigos!
Sim, para nos tornarmos amigos
É necessário o fumo da poeira!
Os amigos só serão em três casos:
Serem irmãos na miséria,
Serem iguais diante do inimigo,
E livres... diante da morte!


(Nietzsche, em "Gaia Ciência")
 
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