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Além das artes pessoais e da amplitude do silêncio, o único gozo de José,
naquela insone noite de verão, permanecia entrelaçado no sorriso da mulher.
Recostado em sua cadeira de vime, no alpendre da casa em que compunha seus
rocks rurais, o jovem degustava, agraciado por uma indolente brisa do vento
norte, os segredos de Ovídio. Em sua famigerada vontade de encontrar um amor,
aportou grandiosa esperança na sagacidade do imprevisto. Lembrou, no repente de
um suspiro, da última vez em que os olhos da ex-namorada lhe convidaram ao
pecado. Largou livro e lápis, levantou-se e foi até o jacarandá, alguns metros
adiante do lugar onde estava. Dali, entre um gole de rum e outro, fantasiou
desesperadamente o nó da solidão, desfeito. Entreviu, então, no Cinturão de Órion e nas
benditas Três Marias, a vontade pelo seu brado de luta a coração (des)armado.
Decidiu, naquele arrastado blues que tocava em seu violão, armar-se de suas
principais virtudes e sair à procura de sua Afrodite. Esperou findar a música,
acendeu um cigarro e tagarelou com Ursa Maior: queria um presente antecipado
para ela, queria gracejá-la com o sumo de seus desejos e de sua boa
aventurança, de sua errância e essência nua. Recorreu, e não poderia ser
diferente, aos versos e às tintas. Rascunhou alguns desajeitados traços em um
guardanapo e, sujo de sangue o dedo, pelos insistentes acordes pestanejados,
decidiu que arderia na fronte de seu desenho, como que em almejo de graça e poder,
a bela figura de uma flor.


