Um pouco mais de paciencia

Um petisco!


  • Você está na maneira "Insensatez":
  • domingo, 8 de maio de 2011

    "Só dela", por Hhp


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    Com a mão no pescoço, e os dedos entre a orelha e a nuca, em instante recíproco de perdoado atrevimento, sussurrava algumas palavras de desejo. Entre mudos e calados, versos lhe diziam que, tal a aurora naquela esplêndida manhã de verão, sua vontade era de construir história.[...]

    segunda-feira, 2 de maio de 2011

    "Dúvida", por Hhp


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    Crimes de mesmo sangue,
    entre os nós do desejo,
    nestes repentes de graça,
    boa aventurança e paz,
    nestes quebrantes do tempo,
    marcados à chama da vontade,
    da sabedoria e dos passos,
    fulminam os corações
    com a mais voluptuosa dúvida:
    Terá mesmo evaporado tudo
    na distância entre a boca
    e o beijo?

    quarta-feira, 30 de março de 2011

    "Joga a rede, pescador!", por Hhp



    "Sonrei con amor", graffiti de Poeta
    No muro aqui de casa.
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    O homem começa a gostar das coisas, 'coisas' e "coisas" de uma mulher. Algo que, árdua e normalmente, ela quer se ver livre, quer ressignificar, quer reintensificar. Um relacionamento finda por conta do autoritarismo vindo de ambas as partes neste tocante. A própria constituição histérica da mulher a torna um tanto mais inquieta e invasiva em relação a alguns assuntos. O homem, no seu típico ar de demarcação de território por grito e brados de espada, não sabe abdicar, no mais das vezes, de seus dogmas. Ambos, ao fim, agem soberanos frente a suas vontades primevas. Que maravilha os pombinhos que fazem análise e gostam de discutir a relação. Ora, ora. Não nego a real importância do divã. Meu analista ainda não me concedeu a graça, mas permanecem muito instrutivas as sessões que, por um quebrante do destino, agora estão reduzidas à quinzenalidade. Penso, apenas, que algumas epifanias da vida Freud ou Lacan não souberam, puderam ou quiseram perceber. Algo há na relação amorosa não atingida pelos nós do passado. A falibilidade humana, os imprevistos e surpresas do dia-a-dia, a faísca rápida, o 'feeling' para agir sem lembrar de Pitágoras ou Arquimedes...à percepção dessas singelas vírgulas na vida de cada um é que se dirige boa parte das conversas com o felizardo doutor. Esse sim tem do que reclamar. Quantos problemas, quantas soluções, amarras, pesos, dúvidas, entrelaços, cegueiras. Enfim, o fato é simples, atente. Não consigo parar de pensar em ti. Sei como são as evasivas de um suspiro, as chamadas de provocação, teste, desejo, sedução. Que pouca vergonha a minha. Apenas porque te disse quão poéticos são os camarões, me pus a imaginar a época que vivo. Nada a ver com Einstein, uma quarta dimensão, algo ultrarromântico, parnasiano. Sorte, azar: culpa que os mal preparados colocam em sua própria incapacidade de aceitar os defeitos e a impotência para enfrentá-los. Esse não-sentido que faz as coisas acontecerem é bárbaro e formidável. Ter a capacidade para captá-lo é antever o belo da vida, que faz sentido para nós. Quer dizer, não por acaso que surgiu a vontade de te escrever aquele bilhete. Por uma série de motivos, entre eles o calendário chinês de 2011 (ano do coelho), decidi, com os incipientes calos de minhas mãos, arder a vida nú. Terminei minha rede e me joguei mar da solidão adentro. Meus braços e minhas pernas, não percorrem cansados o caminho da nudez. Tirei férias em mim e resolvi pescar bons fluídos, resgatar boas memórias e oferecer ao mundo a degustação perfeita de sabor e saber. Aceito que me seja dito haver destemperança nas palavras, nas ideias. Objetivo, daqui para frente, e de qualquer forma, é sangrar o que, em minha face Sísifa, aprendi a querer e a poder. Almejo encontrar, dessa forma, alguém que não me queira sepultar e jogar rosas no caixão, caquética em uma bengala e longe de terra firme pela senilidade. Saberei, em um piscar de teus olhos (que um dia serão os meus), se estarás disposta a compartilhar de tua culinária arte de viver. Com um pouco de carinho aqui, de atenção alí, de vontade e dedicação nos momentos e pela duração corretos, tenho certeza que degustaremos, sempre, bons sorrisos e bem-estar. Para algumas coisas, das mais audazes às mais íntimas e silenciosas, um cozinheiro, apenas, não dá conta de preparar o prato.



    Ah, e por falar nisso: eu entro com o camarão e a alga. Não esquece do saquê e do CD do Chico.


    terça-feira, 29 de março de 2011

    "Desespero", por Hhp

    Fotografia de monsterkookies
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    Imerso na disputa por espaço,
    vaga rente ao inóspito melodrama do fracasso,
    o emblema do imediatismo e da conformidade.
    À felicidade, tal acontece com a música,
    não se direciona qualquer contraindicação.
    Basta, por isso, na corda-bamba de sombrinha,
    saber o limítrofe abismo que há 
    entre o muito e o demais!

    sábado, 5 de fevereiro de 2011

    "Insaciável sabor", por Hhp

    Fotografia de Diogo Ramos Moreira
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    Ainda que nada seja dito, e as expectativas permaneçam, para todos consortes do ébrio extrassensorial, hediondo flagrante de repentino e perene abalo, haverá inequívoca distância entre o muito e o demais. No amor, entretanto, seja frisado, há um ínfimo vazio entre eles, preenchido de desejo, vontade e prazer. Muitas vezes não se distingue o certo do errado e vice-versa. Isto porque, uma vez enamorados, os amantes gozam a vida pela temporalidade. É dito, ao revés, que ares, olhares e momentos são oportunos, se vêm cedo ou tarde. A certeza do que se faz é tão relativa, no sentido da permanência. O prelo da relação se dá por meio da cordialidade, dos afagos, da intimidade, da amizade. A estrutura base, o que determinará a perpetuidade dos casais, assim, emana do que deste entrechoque restará como convergência. Muitas vezes batalham inamovíveis conceitos e virtudes opostas, pontos de vista tiranos, e a própria história de cada um. Por isto, no amor, não se deve falar em culpa. À inocência de um ciúme perdoável não se deve aproximar a frieza de uma arbitrariedade. Os medos e os nós do passado, que talvez nunca sejam desfeitos, sintomatizam  sinais de luta, de vontade de conquistar um bem-estar pleno. Logo, quem ama busca doar-se ao outro na medida do máximo esforço para ressignificar estas glórias e angústias. O próprio autoesforço neste sentido há de brindar ambos com muita harmonia e sempre mais coesão. Os fatos e atos, agora vividos em unimultiplicidade, devem possuir tamanha transparência e nudez que conduzam ao respeito e à aceitação do tempo do outro. Vige, desta feita, entre aqueles que se dispõem a amar, a regra do indulto à felicidade: temos de nos permitir o amor, em primeiro lugar. Tarefa esta bastante delicada, encontrar a cara-metade requer paciência, jogo de cintura, investigação, apuro e fibra moral para lidar com o inesperado, com a carga humana de falibilidade. Por isto, se ainda não aprendi a dissimular o que sinto, bem sabes tu que aqueles sorrisos meus se coloriram de tua morena voz, do teu olhar e de tua imensa sede por encontrar-te no sutil enlevo de um tempo construído a dois. Certo ou errado, não importa, que a ti seja deixado sem assomo de dúvida não haver "tempo perdido ou tempo a economizar, pois o tempo todo é vestido de tempo e tempo de amar".


    domingo, 23 de janeiro de 2011

    "Liberdade às avessas", por Hhp


    Transpassa a dor da ausência, sentida,
    pungente, o véu sombrio da auto-injúria
    e do ressentimento, imorais, rompantes,
    flagelos inafastáveis daqueles que
    esquecem de si, a tornar indisponíveis
    a vontade e o desejo do passo seguinte.
    Sobra, ao fim, a culpa por não se querer
    de maneira mais intensa e volitivamente
    livre!

    "Sasor", por Hhp

    Não veio ao contrário a vontade de ser,
    naquelas palavras gemidas em versos,
    de ousada mas não abusada recomendação!
    Virgulado em tão sutis entrelaços,
    o desejo fez fronte ao inesperado,
    belo e atraente em teus sorrisos,
    tua voz e no convite de teu olhar:
    profanaste a sede pelo lirismo
    da pele e da alma, famintas!
    Estas, que devoraram os instantes e,
    embriagadas de ti, sussurraram a franca
    melodia de um silêncio arrebatador,
    voluptuoso e inexplicável,
    sentiram, entregaram, mas não
    souberam provar a veracidade desta
    que é a nudez de querer.
     
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