Um pouco mais de paciencia

Um petisco!


  • Você está na maneira "Disparos":
  • segunda-feira, 16 de maio de 2011

    La voz a ti debida


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    No, no puedo creer
    que seas para mí,
    si te acercas, y llegas
    y me dices: “Te quiero.”

    sexta-feira, 13 de maio de 2011

    O guardador de rebanhos - Sétima Ode



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    Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
    Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
    Porque eu sou do tamanho do que vejo
    E não do tamanho da minha altura...
    Nas cidades a vida é mais pequena
    Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
    Na cidades as grandes casas fecham a vista à chave,
    Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
    Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
    E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

    __________
    Disponível em (PESSOA, FERNANDO. Poemas de Alberto Caeiro: obra poética II. Organização de Jane Tutikian. Porto Alegre: L&PM, 2009, p. 43).

    Capítulo dos Chapéus


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    Musa, canta o despeito de Mariana, esposa do bacharel Conrado Seabra, naquela manhã de abril de 1879. Qual a causa de tamanho alvoroço? Um simples chapéu, leve, não deselegante, um chapéu baixo. Conrado, advogado, com escritório na Rua da Quitanda, trazia-o todos os dias à cidade, ia com ele às audiências; só não o levava às recepções, teatro lírico, enterros e visitas de cerimônia. No mais era constante, e isto desde cinco ou seis anos, que tantos eram os do casamento. Ora, naquela singular manhã de abril, acabado o almoço, Conrado começou a enrolar um cigarro, e Mariana anunciou sorrindo que iao pedir-lhe uma coisa.

    terça-feira, 10 de maio de 2011

    Geladeira de solteiro


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    Lar de solteiro não significa que estará desarrumado, com pilha de louça para lavar e parte das lâmpadas queimadas. O que diferencia o apartamento de alguém que vive sozinho do espaço de casais e de agrupamentos familiares são os sachês da geladeira. Centenas de sachês de mostarda e catchup ocupando as fôrmas dos ovos.

    quarta-feira, 4 de maio de 2011

    Um violão de diamante



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    A cidade mais próxima fica a trinta quilômetros da colônia penal. Vários bosques de pinheiros separam a colônia da cidade, e é nesses bosques que trabalham os condenados, sangrando as árvores para coletar resina. A própria prisão fica no meio de um bosque, no final de uma estrada esburacada de terra vermelha, com arame farpado subindo pelos muros como uma trepadeira. Lá vivem cento e nove brancos, noventa e sete negros e um chinês. Há dois dormitórios – grandes barracões de madeira com teto revestido de papel alcatroado. Os brancos ocupam um; os negros e o chinês, o outro. Em cada dormitório há uma estufa bojuda, mas ali os invernos são frios, e à noite, com os pinheiros oscilando gelidamente e a luz frígida da lua, os homens ficam acordados, estendidos nos catres de ferro, com as cores chamejantes da estufa brincando em seus olhos.

    segunda-feira, 11 de abril de 2011

    Histórias cabeludíssimas

    Fotografia de kanikey
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    Outro dia recebi um e-mail de uma amiga dizendo que havia escutado uma história cabeludíssima a meu respeito e que não via a hora de me encontrar e tirar a limpo se era verdade – ainda que ela estivesse quase segura de que era verdade.

    sábado, 2 de abril de 2011

    O direito ao delírio


    Fotografia de Ptimac
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    Já está nascendo o novo milênio. Não dá para levar o assunto muito a sério: afinal, o ano de 2001 dos cristãos é o ano 1379 dos muçulmanos, o 5114 dos maias e o 5762 dos judeus. O novo milênio nasce num primeiro de janeiro por obra e graça de um capricho dos senadores do Império Romano, que um bom dia decidiram quebrar a tradição que mandava celebrar o ano-novo no começo da primavera. E a conta dos anos da era cristã deriva de outro capricho: um bom dia o papa de Roma decidiu datar o nascimento de Jesus, embora ninguém saiba quando nasceu.


    O tempo zomba dos limites que lhe atribuímos para crer na fantasia de que nos obedece; mas o mundo inteiro celebra e teme essa fronteira.

    quinta-feira, 31 de março de 2011

    É adorável uma mulher toda nua, ou quase, de meias brancas

    Fotografia de resonatewithin
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    Tomar café não me desperta. Bebo pelo cheiro. Invento de acreditar que funciona por superstição. É somente um apoio moral e reconfortante para enfrentar a semana. Alheio às pesquisas científicas, bocejo na fumaça. No terceiro gole preto, fico com mais sono. Reativo a preguiça da noite anterior e o impulso é voltar para a cama. Esqueço que acordei. Sou o efeito colateral do café. Ele deve ser menos agitado do que eu.

    Um outro tabú é transar de meias. Se confessar aos meus amigos que gosto de mulheres assim, vão contar que sou louco.

    Quem determinou que é errado? Por que elas são mais pijama do que acessório? 

    quarta-feira, 30 de março de 2011

    De Patinho Feio a Cisne Negro


    Fotografia de ahermin
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    Todo Patinho Feio teme nunca acordar na pele de um cisne. Só temos a coragem de ler para crianças essa trágica história de Andersen porque antecipamos o final feliz, já sabido por todos. [...]
     
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